Debate com alunos do Ensino Médio e do Curso NormalParte IColégio São JoséVacaria - RS25 de outubro de 2004Eu pretendia registrar aqui
|
Voltar à página-index / Contato
Acho que foi na adolescência. Quando tinha 14-15 anos, escrevia com um colega um jornalzinho de fofocas que era distribuído depois das férias. Assinávamos o jornal com pseudônimos. Aos 16 anos escrevi uma resenha do livro “O ABC da Relatividade”, de Bertrand Russel. Foi para uma revista de Esperanto, cujo editor era meu vizinho. “O plágio de Einstein” é meu primeiro livro de ficção. Além disso, minha dissertação de mestrado foi transformada em livro pela Editora da UFRGS, intitulado “Escalonamento Multidimensional e Análise de Agrupamentos Hierárquicos”, e tem co-autoria do meu orientador. Depois escrevi um livro sobre Nitretação Iônica, editado pela Cooperativa Cultural da UFRN. Recentemente escrevi uma monografia sobre Eletricidade e Magnetismo, editada pelo Instituto de Física. Finalmente, com colegas da USP, UNICAMP e UFPA, escrevemos “Da revolução científica à revolução tecnológica: tópicos de história da física moderna”, que deverá ser editado pela editora da Universidade de Brasília.
Portanto, meu primeiro passo foi literatura técnica. Só depois de quatro livros técnicos é que escrevi meu primeiro livro de ficção. Veja a resposta a seguir.
Eu passei a me interessar pela biografia de Einstein meio por acaso. Em 1991, quando eu era completamente ignorante sobre a vida de AE, um amigo me emprestou uns dois ou três livros sobre ele. São livros pouco citados atualmente, e de fato não têm boa qualidade histórica. De qualquer modo, eles me apresentaram uma complexa e instigante personalidade. Não parei de ler sobre ele. Passei a escrever alguns artigos de divulgação e a fazer resenhas de livros publicados no Brasil (principalmente para o jornal Zero Hora). Logo que a internet surgiu, fiz o site www.if.ufrgs.br/einstein. O site despertou tanto interesse que vários amigos passaram a sugerir que o publicasse. Mas, jamais considerei que aquele material tivesse a necessária originalidade para ser transformado em livro. Pior do que isso, sempre que me ocorria uma idéia interessante, em seguida aparecia algum livro de autor estrangeiro tratando do assunto. Logo descobri que, em se tratando de uma obra histórica sobre AE, seria muito difícil competir com os autores estrangeiros. Para aproveitar meu conhecimento e transformá-lo em algo a ser compartilhado com meus leitores, só uma obra de ficção. Quando vi o livro de Umberto Bartocci, “Albert Einstein e Olinto de Pretto: la vera storia della formula più famosa del mondo”, a idéia do livro emergiu imediatamente.
A primeira inspiração veio do livro de Umberto Bartocci (veja a resposta anterior), que tratava da existência de um trabalho de Olinto de Pretto, sobre a equação E=mc2, publicado quase dois anos antes do trabalho de AE. Embora Bartocci não levante a hipótese de que se tratava de um plágio, ele questiona se AE conhecia ou não o trabalho de Olinto de Pretto. Foi daí que tive a idéia de colocar a possibilidade de um plágio. Várias personagens e ambientes da história são reais, outros são fictícios. Otto Nathan, Helen Dukas, Solovine, Habicht e Besso são reais. Todas as outras personagens são fictícias. A Academia Olímpia existiu; foi uma brincadeira inventada por Einstein, Solovine e Habicht, para ridicularizar as famosas Acadêmicas de Ciências.
O objetivo central era registrar a vida do jovem Einstein, sobretudo a existência da Academia Olímpia. A história publicada por Bartocci também motivou-me a discutir a acusação de plágio, que tempos em tempos ressurge contra Einstein.